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[Review] Os Gladiadores do Fim do Mundo, conheça “Suicidas”

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Quando um grande terremoto deixou Los Angeles em ruínas, o governo dos EUA abandonou o que restou da cidade a própria sorte. Das sombras da destruição, após trinta anos, L.A. conseguiu se reerguer apoiada em sua principal arma: o entretenimento. Assim New Angeles nasceu, uma nova cidade que enriquece graças a um esporte violento e sanguinário, conhecido como “Suicidas”, um programa de TV que apresenta gladiadores com armaduras e armas tecnológicas brigando até a morte me uma arena high-tech. Dentre esses monstruosos competidores existe o sujeito conhecido como O Santo, o maior e mais habilidoso combatente existente (com um passado misterioso que pode abalar todo o sistema de New Angeles), cujo qual aos poucos começa a derrubar a cortina corruptora que o transformou em um animal. Em New Angeles o assassinato não é um crime, mas sim diversão. E a sobrevivência é um luxo.

“Se o que aconteceu há trinta anos atrás nos ensinou algo, é que a Cidade dos Anjos não é mais um lugar onde sonhos se tornam realidade, se você quer durar nessa cidade você tem que ser um santo”

Nesse mundo pós-apocalíptico criado por Lee Bermejo (que assina tanto roteiro como a arte) a desesperança paira como um abutre sobrevoando uma carcaça. A antiga cidade de Los Angeles foi arrasada por um terremoto, vitimando centenas de pessoas, que posteriormente se dividiu em duas grandes áreas: New Angeles, a cidade-espetáculo – cercada por uma grande muralha – cuja qual residem os ricos e se localiza o coração do programa Suicidas; e Lost Angeles, a parte da cidade jogada a marginalidade e miséria, onde pessoas comuns tentam sobreviver um dia a mais.

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Nos dois lados conhecemos dois personagens ligados pela brutalidade do local, mas com ideais tão diferentes que irão definir a jornada um do outro. Em New Angeles temos O Santo, o maior Suicida de todos os tempos, uma máquina de matar que perdeu sua alma ao ser controlada pela corporação que Grayson (um empresário mafioso) representa. O Santo sente a necessidade de abandonar aquele local, aquela vida de sangue e destruição que o fazem enlouquecer, e para isso ele sonha em ir para Lost Angeles, o local onde seu passado obscuro o aguarda para quitar suas dívidas. No outro lado, em Lost Angeles, temos o imigrante conhecido apenas como Straniero, um brutamontes que aos poucos começa a concretizar seu sonho de ser um Suicida e ir para New Angeles ser um grande combatente. Duas vidas, dois sonhos, dois lados de uma mesma moeda.

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Duelo mortal entre O Santo (na esquerda) e O Ceifador (na direita).

“Se você quer saber sobre o que eu acho sobre tudo isso, Srta Sutter, eu vou simplificar. O terremoto foi a melhor coisa que aconteceu a Los Angeles. A cidade precisava ser purificada. O lado cancerígeno da população precisava ser removido para que uma sociedade digna do nome da cidade tomasse seu lugar. Eu lamento que não pudemos fazer mais do que colocar eles do outro lado da muralha. Sempre que eu luto, eu me torno a muralha, eu sou New Angeles, purificando-se novamente. Sempre que meus oponentes pisam dentro do coliseu eles já morreram. ” O Santo.

O roteiro de Lee Bermejo é uma visão crua sobre o aspecto violento da raça humana, da sede por poder, da luta pela sobrevivência acima de qualquer custo e da esperança (por incrível que pareça) de um futuro melhor. A narrativa aborda a situação dos imigrantes e das dificuldades que passam ao tentar atravessar a muralha, em uma crítica social clara a nossa própria realidade. Descobrimos as várias histórias por detrás dos personagens que interagem com os protagonistas; algumas são extremamente trágicas e outras virtuosas, que ajudam a construir a psique do Santo e do Straniero, e alimentam suas motivações. Existe um ambiente hostil na cidade, do lado de New Angeles temos as empresas cuidando de seus investimentos nos Suicidas, abafando qualquer polêmica envolvendo eles, em uma complexa rede mafiosa de mentiras, chantagens e assassinatos; do lado de Lost Angeles temos gângsters menores duelando por cada metro quadrado de território, para imporem suas próprias leis e negócios.

Assim como o roteiro, a arte não fica atrás. E uns dos pontos altos, dessa verdadeira obra artística que Bermejo nos presenteia, são as cores utilizadas por Matt Hollingsworth. Os quadros referentes a New Angeles são em tons frios, com paisagens mais sombrias para retratar os jogos de poder e manipulações que ocorrem ali, um local onde a esperança já sumiu faz tempo. Em Lost Angeles os quadros são com cores mais quentes, mais vibrantes, cheias de brutalidade e a esperança de fugir daquele local. Cada face da cidade almeja a outra, e cada uma se decepciona com a outra.

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O esquema de cores utilizados Hollingsworth, em uma narrativa intercalando as vidas de Santo e Straniero.

“Suiciders” (do original) foi uma minissérie em seis edições publicada em 2015 pelo selo Vertigo (DC Comics). Aqui no Brasil a Editora Panini publicou em uma edição encadernada que você pode adquirir clicando aqui.

Em “Suicidas”, a doença da brutalidade é base para as jornadas de Santo e Straniero, marcadas por desafios, escolhas e sacrifícios, e que se unem em um final surpreendente que deixará qualquer leitor de boca aberta.

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